terça-feira, 21 de junho de 2011

Diagnóstico do TDAH


O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neuropsicológico com bases biológicas  e caráter hereditário que afeta 10% da população mundial. É considerado hoje um grave problema de saúde que tem sido alvo de muitos estudos em todo o mundo. Deve ser cada vez mais discutido nas escolas, principalmente porque tal transtorno afeta a aprendizagem, as relações interpessoais e autoestima do aluno.


Recentemente, fiquei surpresa com a afirmação de um pai de aluno quando disse que seu filho recebeu o diagnóstico de TDAH pelo psiquiatra que o atendeu. Surpresa pelo diagnóstico, que é incompatível com as características e o comportamento do aluno, e surpresa principalmente por perceber que tal equívoco não partiu de uma pessoa leiga e sim de um profissional que deveria ter feito uma investigação criteriosa para fazer tal afirmação.

De certo, é muito comum ouvir pais e até professores rotulando indiscriminadamente uma criança como hiperativa. Este rótulo frequentemente usado no discurso popular é, muitas vezes, direcionado de forma arbitrária a qualquer criança travessa, inquieta e falante que “incomode” com seu comportamento agitado e desatento. O desconhecimento acerca do que é o TDAH leva a pensamentos equivocados e, consequentemente, a dificuldades no diagnóstico, no tratamento e nas intervenções necessárias a uma criança que realmente possui tal transtorno.

No caso do aluno que mencionei, o diagnóstico foi feito numa única consulta com o psiquiatra somente a partir de algumas informações dadas pela família e pelo garoto. Apesar de saber que o diagnóstico de TDAH é clínico - não existe até o momento, nenhum exame ou teste que possa sozinho dar este diagnóstico - este só pode ser construído corretamente a partir de diversas avaliações, muitas vezes com abordagem multidisciplinar. Neste caso, um relatório da escola sobre o comportamento, sociabilidade e aprendizagem da criança é de grande importância. 

Depois de reunidas todas as informações, o médico deverá avaliar se os sintomas apresentados preenchem os critérios diagnósticos que são apresentados nos Manuais de Classificação (MCs) para o TDAH (os mais utilizados são o DSM-IV e o CID-10).
TABELA: Sintomas para diagnóstico de TDAH na criança
1. Não consegue prestar muita atenção a detalhes ou comete erros por descuido nos trabalhos da escola ou tarefas.
2. Tem dificuldade de manter a atenção em tarefas ou atividades de lazer.
3. Parece não estar ouvindo quando se fala diretamente com ele.
4. Não segue instruções até o fim e não termina deveres de escola, tarefas ou obrigações.
5. Tem dificuldade para organizar tarefas e atividades.
6. Evita, não gosta ou se envolve contra a vontade em tarefas que exigem esforço mental prolongado.
7. Perde coisas necessárias para atividades (por exemplo: brinquedos, deveres da escola, lápis ou livros).
8. Distrai-se com estímulos externos.
9. É esquecido em atividades do dia-a-dia.
10. Mexe com as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira.
11. Sai do lugar na sala de aula ou em outras situações em que se espera que fique sentado.
12. Corre de um lado para outro ou sobe demais nas coisas em situações em que isto é inapropriado.
13. Tem dificuldade em brincar ou envolver-se em atividades de lazer de forma calma.
14. Não para ou frequentemente está a "mil por hora".
15. Fala em excesso.
16. Responde às perguntas de forma precipitada, antes de elas terem sido terminadas.
17. Tem dificuldade de esperar sua vez.
18. Interrompe os outros ou se intromete (p.ex. mete-se nas conversas / jogos).

(Adaptado do questionário SNAP-IV)

A partir dos sintomas explicitados acima, podemos fazer uma análise avaliando cada item com as seguintes indicações:

  • Nem um pouco 
  • Só um pouco 
  • Bastante 
  • Demais
Como avaliar:

1) se existem pelo menos 6 itens marcados como “BASTANTE” ou “DEMAIS” de 1 a 9 = existem mais sintomas de desatenção que o esperado numa criança ou adolescente.

2) se existem pelo menos 6 itens marcados como “BASTANTE” ou “DEMAIS” de 10 a 18 = existem mais sintomas de hiperatividade e impulsividade que o esperado numa criança ou adolescente.

O questionário SNAP-IV é útil para avaliar apenas o primeiro dos critérios (critério A). Para se fazer o diagnóstico, deve se levar em consideração outros critérios que também são necessários. São eles:

CRITÉRIO A: Sintomas (vistos acima)
CRITÉRIO B: Alguns desses sintomas devem estar presentes antes dos 7 anos de idade.
CRITÉRIO C: Existem problemas causados pelos sintomas acima em pelo menos 2 contextos diferentes (por ex., na escola, no trabalho, na vida social e em casa).
CRITÉRIO D: Há problemas evidentes na vida escolar, social ou familiar por conta dos sintomas.
CRITÉRIO E: Se existe outro problema (tal como depressão, deficiência mental, psicose, etc.), os sintomas não podem ser atribuídos exclusivamente a ele.

Há ainda que se considerar que existem 04 tipos de TDAH com ou sem comorbidades.
a) TDAH do tipo predominante desatento.
b) TDAH do tipo Hiperativo/Impulsivo.
c) TDAH do tipo combinado.
d) Tipo inespecífico.

Lembre-se que o diagnóstico definitivo só pode ser dado por um profissional. Portanto, caso haja suspeita de TDAH, o mais seguro ainda é encaminhar para a avaliação de um médico, de preferência, psiquiatra.


Nohara Alcântara

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